1.03.2010

Exorcismo pelo suor

Era o penultimo dia do ano de 2009. Fones de ouvido, tênis amarrado, duas horas da tarde na cidade esquecida pelo mundo e o mesmo sol que vi em hellcife de todas as glândulas. A intenção é correr, mas não uma corridinha ritmada, corrida “salve-se quem puder”, como se fosse o fim do mundo, até o coração doer, o pulmão arriar, as pernas não responderem. Tudo para suar, exorcismo de todos os amores, todas as redundâncias amorosas devem ficar pela estrada. Suar os amores líquidos e a represa de amores do passado, fazer chover por todos os poros o amor que fica, o amor platônico e o amor safado. Suar, derreter-me em água e vapor no ano onde vestidos, copos e a fumaça da madrugada falaram mais que todas as línguas de pentecostes.