6.23.2009

Bem vinda insônia

Dessa vez o corte que falo é real. Mas trouxe toda uma nova visão para mim de mim. Corte fundo porem pequeno, com caco de vidro, tira o vidro, o sangue espirra, na hora só me veio um pensamento... ”corte = dor”... óbvio, não? NÃO. Eu fiquei estático enquanto o sangue corria, vermelho forte... “ainda sou humano, ufa”... Mas cadê a tão esperada confirmação? Onde estava a dor que tardava em brotar? E eu lá, olhando a ferida aberta, o pessoal em volta gritando algo sem sentido na hora estava preocupado demais em sentir. Não foi, não houve dor alguma, lava a ferida com água e... Sem dor, esteriliza e... Sem dor. Por que sem dor? Eu sinto o pulsar latejante do coração por todo o braço, mas não há dor. O ferimento fechou, hoje, é só um risco que vai do pulso até o começo da palma. Mas a dor não veio ainda. Necessito-me sentir vivo, quero saber o que sou por inteiro, quem sou por inteiro. Tá difícil. A vida está no meio do combo master dela, estou na bad, me ligaram às 4 da manhã para falar que um dos meus mais velhos amigos morreu de aneurisma. Esboçar reação era quase impossível, a boca mal se mexia para responder ao telefone. O choque foi forte, foram 10 anos juntos! Tomamos desde todinho á vodka juntos, dividimos ideais, sonhos e segredos culinários. Hoje a quietude do cemitério era perturbadora, só rompido pelo choro controlado aos poucos, o sol, brilhava forte no céu, não fazia idéia do que acontecia aqui na Terra, se soubesse se esconderia de vergonha. Por mais forte que fosse não esquentava o frio que eu sentia, não fazia evaporar o sentimento de falta, a pele tava fria. Morri um pouco hoje.
Seja bem vinda insônia.

Lifeless.
Another definition for what life is?
Priceless