1.18.2010
Alinhamento
Mostrou-me a cicatriz que lhe atravessava as linhas da palma da mão, como se com ela tivesse alterado qualquer leitura possível deste mapa que o tempo anota. Segurei seu pulso com a gravidade necessária a não assustar um animal acuado, lentamente explorei-lhe a textura e a temperatura. Mais que comparar, quis igualar nossas marcas. Querendo achar intersecções nas nossas dores e dali tirar razões para mais um alumbramento. “Você já ficou alumbrada?”. “Se soubesse o que isso significa, te responderia”. ”É como ficar iluminado por algo”. “Ou por alguém”, compreendeu. O silêncio e o olhar de viés responderam a pergunta. Não é seguro querer alinhar o que se deseja com o que se sente. O melhor é admitir que quase sempre é uma questão de conquistar e não se deixar conquistar. Manobrar até a armadilha.