Nada mais encantador em uma mulher do que aquela fração de segundos em que a gente a flagra olhando abobalhadamente para o infinito. Sem mirar pessoas, mares, luas e horizontes. Olharzinho perdido de Laika a bordo da Sputnik.
Laika delira no cosmos mira o nada, a terra é azul.
Nada como um olhar vesgo e chapado sob aflitas sobrancelhas. Naquela fração de segundos, o desexistir, o coração debaixo da língua para travar as mais inúteis falas. E ela mira o infinito da janelinha trepidante da Sputnik.