7.27.2009
Sr. Rosa
81 anos, temperatura de 36 graus e uma pressão de 10 por 6. Nada disso faz o senhor perder a feição serena na face ou nem se quer esboçar medo, na verdade seus olhos claros sempre iluminaram meu caminho e fazia com que meus medos se dissipassem. Perto de você sou ouvinte cativo, de olhos vidrados em cada gesto seu ao contar por todos os lugares que já viajou e de suas experiências de vida. Quando lhe conheci tinha lá meus 12 anos, se fui rude com senhor naquela época é porque não tinha noção de como iria me influenciar anos depois. Passava tardes inteiras conversando sobre os mais diversos assuntos com você no seu escritório, me falava dos costumes de lugares distantes, me contava o significado de cada coisa que parecia tão boba. Eu teimava em dizer que “uma mascara é só uma mascara e um homem que veste uma mascara nada mais é que um homem que usa uma mascara”, só agora a palavra artífice faz algum sentido. Hoje você já não fala que eu sou um imediatista. você me ensinou a realmente jogar xadrez, me apresentou a Dostoiévski e Shakespeare. Com o perdão da palavra... O senhor é um velhinho deveras foda!